TRÊS MULHERES
Zélia Gattai deixa este “plano” para escrever outras páginas.
Quando ocupei a Superintendência de Parques e Jardins de Salvador tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, quando cheguei a sua morada, no Rio Vermelho, atendendo seu pedido para vistoriar algumas árvores. As cinzas de Jorge estavam sob uma das mangueiras. Caminhamos entre as árvores conversando bastante, quando me impressionei vivamente pelo seu doce jeito acolhedor. Encontramos-nos outras vezes na casa de Calazans Neto e Auta, em Itapuã. Minha homenagem a João Jorge, Dora e Paloma.
Marina Silva deixou o Ministério do Meio Ambiente de forma ética, dando seu recado direitinho e de cabeça erguida. Ninguém melhor para defender a Amazônia, por conhecê-la como a palma da mão e o orgulho como seu berço.
Tive oportunidade de conhecê-la no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, apresentada por seu presidente Sérgio Bruni, quando dos trabalhos para implantação do Jardim Botânico de Salvador.
Atendendo seu convite fui recebido em Brasília, em seu gabinete, tratando das questões ambientais de nossa cidade. Uma vida dedicada à Amazônia, sua infância, família e religiosidade foram colocadas em conversa. Na sua humildade confessou estar aprendendo o nome científico das árvores, pois aprendeu o nome vulgar com o pai quando voltava no fim do dia do seringal, junto aos irmãos, carregando o feixe de lenha; aquele que soubesse a lição, no dia seguinte não carregaria a lenha. Fisicamente frágil, deixava transparecer a singeleza da freira de outrora, porém firme em suas decisões. Teremos uma senadora altiva em defesa do meio ambiente.
Dinha do acarajé; perde a cidade uma referencia da tão decantada e degustada iguaria baiana, por isso conhecida Brasil afora. O céu comemora com azeite e pimenta.
domingo, 18 de maio de 2008
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Um comentário:
Se para a morte não resta remédio senão a resignação (embora, em tempos de violência, para algumas a revolta seja a resposta mais imediata), não nos resta mais que lamentar pelas ausências de Dinha e Zélia Gattai. Perde Salvador, perde o Brasil. Perde o bairro do Rio Vermelho, lugar da boemia soteropolitana, onde estas duas senhoras se mostravam como ícones da nossa cultura. Cultura vasta, diversa, de quitutes e palavras, do alimento do corpo e da alma...
Marina, essa digníssima senhora, viva, muito viva ela está. E muitos vivas a ela, merecedora das láureas de não se ter dobrado às "necessidades" do progresso. Aliás, quanto progresso há nela em defender o meio ambiente da maneira como o fez (o faz), da maneira que lhe garantiu notoriedade e respeito internacinais. Desconfio, sem muita dúvida, que ela seja mais respeitada fora que dentro do Brasil.
A saída de Marina deixa, assim, lições - a do amor e do respeito à causa; a de que nem sempre o melhor lugar é o mais cômodo; a de que títulos nem sempre trazem poder, mas que coerência e dignidade não se compram em prateleiras de mercados nem em bolsas de valores.
Enquanto a morte, inexorável, leva uns, a vida, premente, faz redescobrir outros.
Viva Dinha!
Viva Zélia!
Viva Marina viva!!!!!
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