O Jornal "A TARDE" publicou em sua edição de 15/01/2008 - Espaço do Leitor
"BRASIL PAÍS DO FUTURO"
Conhecida obra do escritor Stefan Zweig, “Brasil País do Futuro”, até aí tudo bem para onde quero chegar.
No período de 1967/1974 o coronel Mário Andreazza serviu à nação como Ministro dos Transportes nos governos dos Presidentes Costa e Silva e Médici; homem destemido, fã de grandes obras, dava efeito à frase do Presidente Washington Luiz – “Governar é abrir estradas” com seu plágio: “Precisamos fazer a estrada e chegar aos grotões mais distantes”. No governo Figueiredo como Ministro do Interior, propôs o projeto de Transposição do Rio São Francisco.
Trabalhou a Transamazônica, Ponte Rio – Niterói, Ligação Lagoa – Barra (RJ) e deu início a Rodovia Oeste – Leste, menor distância entre o oeste do País e o Atlântico.Em sua diretriz pelo estado da Bahia, alguns trechos foram abertos e na Península de Maraú,
em Campinho, próximo a até então não famosa Barra Grande (veraneio de artistas globais e baianos), deu início ao grande porto (calado de 18 metros) para escoamento da produção de grãos e minérios das regiões Oeste, Sudoeste e Sul do País. Milhões de dólares enterrados, ou melhor, mergulhados. Hoje, após quatro décadas, um “elefante branco”, antiquado, corroído pelo salitre.
Agora, através do PAC – Plano de Aceleração de Crescimento, o governo federal junto com o governo baiano, lançam a Ferrovia Oeste – Leste (975 Km.) com traçado semelhante, partindo da cidade de Luiz Eduardo Magalhães e o porto projetado um pouco mais abaixo de Campinho, entre Itacaré e. Ilhéus.
Ferrovia por Rodovia e uma diferença maior em milhões de dólares. Obra de grande interesse econômico para a Bahia sim, mas pelo visto, cuidado com os Charles de Gaulle -“Le Brésil n´est pas um pays sérieux”. - Thelmo Gavazza
Um comentário:
O general De Gaulle, importante figura na participação francesa durante a II Guerra Mundial e depois um seu presidente, expressava uma visão que ainda hoje grassa entre brasileiros e estrangeiros acerca dessa nossa Nação. Sim, talvez não sejamos mesmo um país sério. Antes, porém, será preciso descobrir qual país o é.
Olhemos a própria França e seu presidente-play boy, Nicolas Sarkozi - aquele mesmo que só apareceu em notíciários por suas doutrinas anti-estrangeiras (pra não dizer xenófobas), pelo menos acerca dos imigrantes das ex-colônias, e pela seu divórcio e contração de novo matrimônio com a modelo italiana Carla Bruni. Além, é claro, das suas andanças pelo Egito - terra da qual os franceses roubaram uma infinidade de artefatos de incomensurável valor histórico (para confirmar, basta visitar a galeria subterrânea do Museu do Louvre, em Paris).
Não, eu não sou um anti-francês! Pelo contrário, acho-os interessantíssimos, e seu país, très beau!!!
Mas o cerne da questão não está na análise da França, e sim, por nossa infelicidade e culpa (e atente-se para o NOSSA, porque já não cabe mais culpar governos e governantes apenas), em ser o Brasil ainda um país digno de tal análise.
Não somos sérios - e o próprio fato de ainda aceitarmos tal representação como uma verdade irrefutável já diz muito ao nosso respeito.
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