sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

ASSOCIADO SBAU DENUNCIA DESCASO COM O BORASSUS”

“Não deixe morrer os borassus.”
Esta foi a frase que marcou a visita do renomado professor especializado em questões ambientais, Luiz Emigdio de Mello Filho, à cidade de Salvador (BA), 2002, e que levou o associado da Sbau e engenheiro agrimensor, Thelmo Gavazza, a lutar pela preservação da espécie. Na ocasião, os dois sobrevoaram de helicóptero as áreas pré estabelecidas para a implantação do Jardim Botânico de Salvador.
De acordo com Gavazza, o borassus é uma palmeira nativa de regiões tropicais da África, Ásia, Nova Guiné e Madagascar e muito importante por dispor de diversas utilidades: culinária, bebidas, medicamentos e emprego na construção civil.
Na cidade de Salvador, essa espécie é encontrada de forma agrupada na Praça do Campo Grande, Av. Vasco da Gama e encosta do Dique do Tororó com o Jardim Baiano.Porém, ele afirma, que em função da falta de manutenção eles estão adoecendo e sendo infestados por pragas. “Considerando a preciosidade dessa espécie, essas palmeiras não vêm recebendo os cuidados de manutenção necessários pelo órgão responsável( Superintendência de Parques e Jardins) em algumas áreas já apresentam sinais visíveis de sério comprometimento vital”, afirma.

Matéria publicada no Informativo SBAU (Sociedade Brasileira de Arborização Urbana – dezembro/2007 ), que congrega centenas de associados, dentre os mais renomados doutores em arboricultura e paisagismo do Brasil, associada à ISA (Sociedade Internacional de Arboricultura). Entidade voltada para a difusão e proteção da arborização como responsável pela melhoria da qualidade de vida dos centros urbanos.Tive a honra de participar de sua Diretoria no biênio 1995/1996.


VOCÊ PRECISA SABER
Quando dizemos que uma determinada cidade tem 5, 10 ou 50 metros quadrados de área verde por habitante e que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde fica num ideal de 12 metros quadrados por habitante, saiba que computamos não somente as áreas arborizadas (bosques, reservas ecológicas, áreas de preservação e parques) mas também as áreas gramadas ou com forração vegetal outra ,os canteiros e praças ajardinados e até áreas como cemitérios com características a exemplo do Jardim da Saudade.
Podemos assim constatar que a cidade do Salvador perdeu nestes últimos anos um percentual expressivo de área verde por habitante – 90% dos canteiros ajardinados nas confluências de ruas com avenidas, praças, canteiros centrais, avenidas de vale e encostas, passam pelo pior estado do seu paisagismo além de esquecer-se do plantio de árvores, do trabalho de manejo ou trato das existentes.

“Nesta época em que o homem da cidade está mais do que espremido e sufocado em sua moradia , há necessidade de se criar grandes espaços livres, onde se possa respirar, entrar em contato com a natureza, contemplar uma flor, isto significa criar jardins que satisfaçam todas as necessidades de contato com a natureza, cada vez mais insatisfeita, pela vida que leva o homem da civilização tecnológica.” ,Burle Marx.

No momento em que se busca uma maior conscientização pelas questões ambientais, face o aquecimento global e suas temíveis conseqüências, é dever e obrigação das administrações públicas prover as cidades de mais verde, entretanto Salvador é sacrificada por um descaso irresponsável e até incompreensível, pois existiam hortos com produção de mudas para manutenção, produção própria de adubo por compostagem e um sistema de irrigação ao longo das maiores áreas tratadas da cidade, composto de 11 poços com bombas submersas, manutenção permanente, que custaram aos cofres públicos municipais em torno de $R400.000,00 (quatrocentos mil reais), estão todos desativados.
As cidades contemporâneas investem hoje nos planos urbanos de paisagismo, instalação de praças , parques ecológicos, arborização nas ruas ,avenidas, canteiros centrais, objetivando uma paisagem compatível com o espaço e a sua população. Salvador e seu povo são merecedores.




Que fim levaram?
O convênio SPJ/UFBA, utilizando áreas da Escola de Agronomia de Cruz das Almas para a produção de mudas de árvores e palmáceas, existentes em 2004 cerca de 8.000 mudas ?

O Horto de Restinga no Parque Costa Azul, único no nordeste, para produção e pesquisas de mudas de restinga em convênio com a Conder e intercambio com a Fundação Parques e Jardins do Rio de Janeiro – Horto de Restinga da Barra da Tijuca ?

O Centro de Educação Ambiental na Lagoa do Stiep, ainda fechado- portas e janelas com blocos ?

Os Programas Sócio Ambientais: Pequeno Jardineiro, Adote Uma Árvore, Clube da Àrvore, Hortas Comunitárias ?

O estudo das espécies vegetais ligadas a cultura afro-brasileira, financiado pelo Botanic Garden Consevation Internacional e HSBC pelo Projeto Investing in Nature ?

O Projeto Geoverde - Georeferenciamento das espécies arbóreas e áreas verdes de Salvador em convênio com a Coelba ( cem mil árvores cadastradas)?

Os onze sistemas de irrigação implantados nas áreas: Av. ACM, Praça João Mangabeira, Praça Lorde Crochane, Vale do Ogunjá, Vale do Canela, AV. Garibaldi (Monumento Cleriston Andrade), Av. Garibaldi(Jardim de Caetano) Praça Bahia Azul, Vale de Nazaré, Rótula do Aeroporto?
POR UMA SALVADOR MAIS VERDE

PROMESSA É DÍVIDA
Depois do recesso de fim de ano, volto à ilha paradisíaca que naquele e-mail para vocês comparei com a Passárgada( Manoel Bandeira). De volta deste exílio contarei tudo.

MEDITAÇÃO PARA INÍCIO DE ANO
“No final, vamos conservar aquilo que amamos e amar aquilo que compreendemos”
Baba Dioum – Ecologista Africano

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